domingo, novembro 11, 2012



























Brisa em meu seio
Cingindo meu corpo
Toma-me infinda
Onde começa?
Do meio
Não é brisa
Devaneio
É vento, vendaval
Invólucro desnudo
Escancara-me as frestas
Sopra,
Sopra
Em meu ouvido
Espinha
Pelas pernas
Perdido, perdida
Esparrama-se em mim
Nos funde
Alados alçando vôo
Quando cerração
Temporal
Molhando desmancha
Desfaz
Dói, dói
Mas ainda somos
Outrora Ar
Água
Somos
Elemento homogêneo
Indivisível

terça-feira, dezembro 22, 2009

Eu voltava a ti
Como que para recarregar os pulmões de ar
E então fugia, corria sem cessar
Tal qual a vida a iminência da morte
Exagerada
Mas de fato me via querendo o que me era torpe
Qualquer coisa que já não continha
Vergonhosa
Como uma mentira orgânica
Nascendo rejeitada

E eu voltava
Ganhava fôlego
Acalentava como se para te acalentar
Eu precisava abraçar com a alma, as vísceras, o fogo
Inteira
E ainda preciso

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Querela pretensiosa

Levo de volta o que trouxe
E tu ficas mesmo querendo vir
Podando o inefável da vida
A melhor parte
Aquela onde se colhem os sonhos
Onde somos qualquer coisa que não se cansa de ser
Que se embriaga em sua própria fonte
E faz crescer
Tão alto que se pode alcançar o céu

Cavaleiro fiel de tuas verdades inócuas
Empunha um amor tão sem vergonha
Que tão logo se anuncia
Tão logo se envaidece
Tão cedo se apropria
Moralista
Da regra como se a própria exceção

Eu vou, querendo ficar
Tu ficas querendo vir
Descobrimos que estamos no mesmo espaço
Este lugar que nos engole tudo o que não foi
Que não nos pertence
Enterrando escondidos como marginais
Tudo o que precisa brotar
Teus olhos vão me abandonando
Teu riso atravessou a rua
Eu grito: Olha pra mim, não me perca de vista!
Mas você não me ouve
E sigo teus pés caminhando na direção contrária
Eu corro pra te buscar
Eu vejo teu rastro
Tua sombra dobrando a esquina
Vou esticando os braços que te procuram
Tateando o que te permeia
Respirando o bafo das tuas passadas
Não te vejo
Não te vejo
Além dos sonhos que te comportam

Eu

Sou qualquer coisa que não te alcança.
Breu, sombra,
Um canto, uma lacuna
O não.
Opacidade,
Assim,
Inóspita,
Quase não sou coisa alguma.

Sou quem te desenha nas paredes do quarto
Nos tetos dos sonhos.
Sou os olhos que te abraçam,
Os beijos que proponho.
Sou quem deságua teu riso,
E derrama-te o cólo.
Misturo tuas lágrimas em tom pastel
E imprimo-te as melhores cores, Quentes.

Sou aquela que inerente as transformações,
A você sempre se revela,
Bela. Mil vezes bela.
Mas você não vê.

Sou as flores que broto em teu corpo
Sou teu cheiro esparramado
Tua boca borrada
Teu erro.
Sou tudo e não sou nada.

Guardei todas as estrelas pra você
E Não as distribuí.
Nada que te fosse ausência ao me encontrar
Ao me perder
Não reparti.
O que faço com isso?
Inventei você pra mim e acreditei.

quarta-feira, outubro 07, 2009

O tempo passou linear, rente a mim
Não houve manifestação
Corria solto
Adiante
Em frente, ao redor, por cima
E eu estava no meio dele
Parada
Anatômica
Estava presa
O tempo passado-futuro.
O Amor Indelével

quinta-feira, março 19, 2009

Temperatura

Minha risada vaga
Vai não voa
Não ecoa, não desdobra
Bate e volta
Um impacto me desmonta
Lacera
Na epifania do ato
Minha verdade
A minha risada falsa.

quarta-feira, julho 11, 2007

Domingo

A rama verde embrulhava as barras da tua calça
E enchia de nós meus olhos

Tua barba roçava meu pensamento
Fazia cócegas
Me dava quatorze anos

Fios de luz se amontoavam tentando nos abraçar
Até nossa sombra se pôr ao entardecer

Lembra o vento soprando meu coração em sua nuca?

Meus dentes escancaravam fingida alegria
No dia de partida
No dia do adeus

Você se foi
Nunca mais voltou
Cóleras por não ser
Entulho pedaços de valor amassados
No bolso costurado do meu Armani
Armani Quem?
Pergunto

Vou colecionando obras vazias
Absorvendo o nada do outro
Digerindo palavras pútridas
Andando em círculos
Longe do centro
Longe

Desconserto em harmonia
Sofá sem aconchego,
Me encosto,
Escondida,
Assim não me vejo.

sexta-feira, junho 29, 2007

Se de um momento para outro, tivéssemos que materializar as nossas posses em apenas duas bolsas de mão, o que lá escolheríamos pôr?

(2+2=5)